quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sweetheart.

- Bom dia! - sussurrou ele, fazendo-a se arrepiar.
- Bom dia, sweetheart. - respondeu ela. 
Por que soava tão infantil? Quer dizer, era uma forma de descrever a doçura dele para com ela, mas, tinha de ser em inglêsUgh. Ela tinha raiva disso às vezes, tudo que dizia soava tão falso. Não que fosse, porque certamente não era. Mas parecia... Pelo menos para ela. Tomara que ele nunca perceba, pensou.Os pensamentos aconteceram por meio segundo, mas lhe pareceu uma eternidade. Bom, mas foi o bastante para ele a encarar com aquele olhar que ela tão bem conhecia. Tão lindinho. Olha aí de novo! Lindinho? Por que não, ''lindo''? Ugh.
- O que é que você tem?
Ahn... Nada. Apenas estou pensando.
- No quê? 
Ele tinha essa mania. De querer saber seus pensamentos justamente quando não era para fazê-lo. O que ela iria dizer? ''Sweetheart, eu simplesmente acho que não consigo dizer as palavras certas, de como eu te amo''. Tudo bem, sem o sweetheart, talvez. Pensou, pensou, e por fim suspirou. 
- Eu não consigo dizer as palavras certas. 
Uau! Sem nenhum diminutivo, ou... Sweetheart.
- Dizer as palavras certas para o quê? 
Por quê? Por que ele não podia apenas adivinhar seus pensamentos sem que ela precisasse dizê-los? Agora ele deveria adivinhar. E foi aí que percebeu. Numa pergunta aparentemente boba em seu interior, percebeu o porquê. Tinha certa vergonha de dizer exatamente o que dizia. Mas se tinha, como conseguira escrever todas aquelas cartas apaixonadas para ele? Hm, porque talvez, fosse fácil escrevê-las. Mas acabara entendendo, se escondia em diminutivos e palavras em inglês para aliviar o constrangimento de dizê-las. Não, isso não está certo, pensou ela. Era ridículo. Não é certo, sendo que ela o amava perdidamente e queria - e muito - dizer isso a todo momento. Queria expor que a sua vida se resumia a uma palavra: ele. Que ele era o cara certo, que nunca iria amar ninguém assim. Subitamente, tomou uma decisão. Nunca mais faria isso, de tentar esconder o que sentia, mesmo que sem querer. Não abriria das palavras ''fofinhas'', é claro, mas diria com todas as palavras o que sentia por ele. Novamente, pensou terem se passado horas, quando apenas só tinham se passado segundos. Então, quando retornou à realidade, se aproximou mais ainda do corpo dele, segurou sua mão fortemente, mas sem apertá-la. Seu rosto ficou a centímetros do dele, e se afogou por alguns instantes naqueles olhos que diziam simplesmente tudo o que não conseguia dizer. E olhando naqueles olhos, começou:
- Dizer com as palavras certas ''eu te amo''...
Ele a interrompeu.
- Mas, eu sei que me ama!
- Sim, eu sei que sabe. Mas às vezes, gostaria de dizer isso de uma forma melhor, menos fantasiosa e que pareça mais verdadeira. Sempre que eu lhe disse que te amava, era verdade, mas sentia que não soava como eu queria. Posso começar agora, sem me interromper? - e riu. 
- É claro que pode, estou esperando!
Ah, sempre aquele bom humor. Uma das coisas que ela amava tanto. 
- Essa é uma das coisas que eu nunca consegui dizer... Esse seu jeito. Sempre brincalhão, o bom humor. Eu sempre amei isso, porque também me faz rir. Eu te amo por isso e tantas outras coisas. Não são motivos, pois ninguém ama o outro por isso, ou aquilo. Mas são coisas que me fazem te amar mais ainda. Todas as vezes que me liga durante a madrugada, todas elas, sinto que meu coração pode sair pela boa a qualquer momento. Mesmo depois de tanto tempo... Eu ainda sinto isso. Sinto o arrepiar sempre que chega mais perto. As borboletas no estômago toda vez que segura a minha mão. E os beijos? Meu coração acelera e bate desesperadamente... E quando você vai embora, ele pára de bater. O que eu faria sem você por perto? É você que faz minha vida ter sentido, e ela têm, pois você está nela. E quero que esteja para sempre.
Ele não disse nada. Pela primeira vez, não disse uma palavra sequer. Isso a assustou, ele apenas ficou lá, a olhando daquele jeito. 
- O que foi? Eu disse algo que...
E assim, ele colocou o dedo em seus lábios para fazê-la parar de falar. E não disse nada. Apenas a beijou com nunca havia beijado, depois de tantos beijos... Todos eram maravilhosos para ela. Mas este, era especial. Ela sentia a paixão, todo o amor. Sentia em todos os outros, mas nesse, havia a necessidade de expressar exatamente o que sentia.


Dedico a: RENAN. O amor da minha vida.

Você sempre pode voltar.


Ele a abraçava. Dizia palavras de amor quase sem sentido em seu ouvido. Mesmo sem entender a complexidade que aquelas palavras queriam dizer tão cedo, ela apenas dizia:
- Eu também te amo.
De repente, sem entender, acordou num susto que fez seu coração pular do peito. Olhou para o lado. Ninguém. Estava sozinha, deitada na cama, provavelmente esperando que mais um de seus sonhos se tornasse realidade. Não tinha como. Estava sozinha de verdade. Então pôs-se a chorar. Um choro tão sentido, tão dolorido, que qualquer pessoa que não soubesse do que se tratava, sentiria uma pena incontrolável da mulher que soluçava.
- Eu não posso mais viver assim. - Dizia ela, repetidamente para si mesma.
Como se adiantasse. Seus dias eram repletos daquela dor, daquela saudade imensa que sentia dele. Não sabia sentir mais nada além da vontade de ter novamente em seus braços aquele que um dia fora seu.
Parou de chorar tão rápido como começou. Desceu da cama, lentamente, como se qualquer movimento que fizesse fosse ferí-la. Foi até a escrivaninha e pegou o único caderno que tinha, com algumas declarações que ali tinha deixado. Logo que começou a ler, lágrimas se formaram em seus olhos, e não pôde mais se conter. As lágrimas caíam grossas e quentes, mas dali nem se mexeu, então continuou a ler as pequenas declarações que havia feito pouco tempo atrás. Ela sabia que não devia mais escrever nem uma só palavra sobre aquele amor tão grande que sentia. Aquele amor que antes ambos sentiam, agora era só seu. Amores particulares deveriam ser compartilhados? Talvez.
Mas quase como um movimento involuntário, pegou a caneta que estava sob a mesa, e começou assim:
''Amor que talvez agora não seja meu. Porém, eu sempre serei apenas sua. Os erros que cometemos ao longo da vida não somem nunca. Podem eles serem pequenos, mínimos. Ou aqueles dos quais nos arrependeremos para sempre. São erros. E por mais que tentemos, não conseguimos apagá-los da memória. Uma vez, alguém disse que temos mais propensão a nos lembrarmos dos acontecimentos ruins. Nem sempre. Eu, por exemplo, me lembro com clareza de todos os nossos momentos felizes. Como eu poderia esquecer os dias em que fui a mulher mais feliz deste mundo? De fato, não sei bem o que fiz para não te merecer. Mas sei que provavelmente, não fiz o bastante para te merecer. Espero que me perdoe. Eu dei o meu melhor, ou o que eu achava que seria o melhor. E agora, na tristeza em que estou, sentindo saudades da sua presença comigo o tempo todo, eu percebo o quanto você sempre foi importante para mim. Mesmo com meu coração em pedaços, a minha alma perdida e a dor que se instalou em mim, eu consigo sentir que ainda tenho amor por você. Um amor que não é perfeito. Mas que é o maior do mundo. E um amor que nunca será esquecido, reciclado ou mudado. Você sempre pode voltar para o que sempre será seu.''
Ela sabia que nenhuma palavra no mundo seria capaz de trazer de volta o que tinha perdido. Mas escrevendo aquilo, ao tirar aquelas poucas palavras do fundo do seu coração, ela sentiu um alívio repentino. Quase libertador. Será que algum dia essas palavras conseguiriam tocar o coração mais puro e bonito que tinha conhecido? A esperança nunca tinha sido o seu forte. Mas no fundo, bem lá no fundo, ela queria acreditar que sim.


Dedico a: RENAN. O amor da minha vida.

29 anos sem Grace Kelly.

Filadélfia, 12 de novembro de 1929 — Mônaco, 14 de setembro de 1982



A Princesa de Mônaco. Como esquecer Grace Kelly? Além de princesa e atriz, era um ícone de moda e de beleza. No dia 14 de setembro de 1982, Grace sofreu um acidente de carro em Monte Carlo, e morreu aos cinquenta e dois anos. Sua filha Stéphanie também estava no carro. Não foi apenas uma perda para o cinema, e sim para o mundo. Grace nasceu na Filadélfia, nos Estados Unidos, em 12 de novembro de 1929 e seu nome é uma homenagem à sua tia paterna, que morrera jovem. Desde criança demonstrava talento e vontade de atuar.


Dia 10 de julho de 2011. Um dos dias mais incríveis e felizes da minha vida. Nesse dia, uma exposição sobre a Grace acontecia na FAAP. Eu pensei: eu tenho que ir. E foi maravilhoso. Fotos e vídeos eram transmitidos nas paredes, fotos, documentos, lembranças... E as roupas! Grace era amante dos vestidos de Christian Dior. A classe que ela tinha era insuperável, estava perfeita para cada ocasião, até para uma princesa. Seus chapéus, suas bolsas e todas as capas de revista que estivera me encantaram. As fotos com os filhos e com a família revelavam muito mais do que a atriz hollywoodiana que ganhou o Oscar demonstrava nas telas com seu talento. Era amada por todos. Cartas e mais cartas de Hitchcock elogiando-a. Enfim. Foi princesa do ínicio até a sua morte. Sentimos a sua falta, Grace.